domingo, 6 de setembro de 2009

Liberdade, eis que a idéia sempre nos vem...

Ah, você...eu...todos nós...

A liberdade é um dos dons mais preciosos que o céu deu aos homens.
Nada a iguala, nem os tesouros que a terra encerra no seu seio, nem os que o mar guarda nos seus abismos.
Pela liberdade, tanto quanto pela honra, pode e deve aventurar-se a nossa vida (Miguel de Cervantes)

"...fumarás demais, beberás em excesso, aborrecerás todos os amigos com tuas histórias desesperadas, noites e noites a fio permanecerás insone, a fantasia desenfreada e o sexo em brasa, dormirás dias adentro, noites afora, faltarás ao trabalho, escreverás cartas que não serão nunca enviadas, consultarás búzios, números, cartas e astros, pensarás em fugas e suicídios em cada minuto de cada novo dia, chorarás desamparado atravessando madrugadas em tua cama vazia, não consegurás sorrir nem caminhar alheio pelas ruas sem descobrires em algum jeito alheio o jeito exato dela, em algum cheiro estranho o cheiro preciso dela(...)

Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada.

"E tem o seguinte, meus senhores: não vamos enlouquecer, nem nos matar, nem desistir. Pelo contrario: vamos ficar ótimos e incomodar bastante ainda"


"... temos uma coisa apertada aqui no peito, um sufoco, uma sede, um peso, não me venha com essas histórias de "atraiçoamos-todos-os-nossos-ideais", nunca tivemos porra de ideal nenhum, só queremos é salvar a nossa vida, veja só que coisa mais individualista, elitista, capitalista, só queremos ser felizes, cara!!!"

E o segredo da felicidade é a liberdade e o segredo da liberdade, a coragem.

Abraçe a sua loucura antes que seja tarde de mais!!!
(trechos alterados livremente por mim de Caio Fernando Abreu)---------

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

E o corpo faminto

O corpo vivo se revoltava como podia, tentando expulsar o que nada havia.
O ser se contorcia, água queria, e água recebeu. Bebeu e ergueu-se de leve ânimo novamente.
Ele caminhava tranquilo quando a pressão caiu, a luz obscureceu, o controle cedeu e a fraqueza venceu. E o frio era imenso.
Horas antes, a mente mandava, o corpo seguia e o ser apaixonado de vida permanecia ativo, atento e produtivo, numa viagem de admiração e contemplação a sua volta. Alegria.
Em sua ansia de potência, no desenfreio alegre de querer tudo à hora, acaba em descompasso com a sua natureza. Volta e meia no tempo, desaba e morre por instantes.
E não fora por desleixo, ideologia ou fantasia. Em sua ansia de vida e idéias o ser esqueceu de alimentar-se.
A relação mente e corpo, antes presente, desequilibrou-se em importância. O corpo esquecido reivnidica a volta da companheira.
Primeiro sinaliza, cutuca com a fome. Ignorado, o corpo amolece e espriguiça, tentando derrubar-se para descansar. Ignorado outra vez, mal correspondido, ele parte para a violência, debate-se como sabe, e força a mente a voltar à cooperação.
Nem só de vida vive o homem, mas pão, antes de qualquer anseio.

domingo, 9 de agosto de 2009

Ao amor dos filhos de Gandi

Que noite é essa que invade a paz segura de si que há em minhas terras?
Que lagrima é esta que não cai, mas ali está, em um sorriso moleque e sedutor?
Que esperança nos atravessa no abraço lento e firme dessa noite de chuva?
Que delirio nos domina, a altura dos olhos, no descanso breve entre uma ventania e outra?
Que som nos faz vibrar, sorrir e querer dizer coisas há tempos guardadas no baú do medo?
Que guarda-chuva nos protege das moedas que caem sobre nós?
Que sorte é essa de tropeçar num caminho imprevisto e ver que é por ali mesmo que se queria seguir?
Que despedida é essa que não dói e alimenta a sede de voltar?
Que musicas embalarão as noites de amor de todos os filhos de Gandi?

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Pisando em meus cadarços...

Ando por todos os lugares que gosto. Devolvo todos os olhares que aprovo com um sorriso no rosto.
Não é simpatia que me força, é que me sinto diferente. Então abaixo o olhar e lá está, meus cadarços novamente desamarrados. Sorrio e disfarço um leve embaraço, mas não me importo tanto.
Um pouco de desleixo podem pensar, mas é que minhas idéias não param para se preocupar com meus calçados.
Sou parte de uma geração de auto-abandonados, de descrentes esperançosos.
E se eles se desamarrarem novamente, não tem problema, me curvo frente ao mundo, aperto firme meus cadarços, sorrio e sigo livre minha caminhada.
Busco o que quero mesmo que na base as coisas volta e meia precisem ser reapertadas.
E sigo, pisando em meus cadarços.